O mercado de ações não é só para os milionários e especialistas no mercado financeiro. Existem formas práticas e acessíveis de investir, e é importante que você aprenda a respeito. Aqui pretendo explicar os principais motivos que me fizeram incluir ações no meu portfólio.

Não é de hoje que a Bolsa me atrai. Há alguns anos, decidi me aventurar e comprei algumas ações. Na época, meu conhecimento do mercado de ações era próximo de zero. Porém também não tive muito aprendizado. Trabalhava vendendo o almoço para comprar a janta, não guardava praticamente nada e não tinha uma consciência de acumular patrimônio. Achava que o governo faria este trabalho para mim. É bem verdade que queria ter achado alguns blogs de finanças, vídeos falando sobre a importância de acumular patrimônio e etc. Porém este bicho não me fisgou na época.
Resultado: foi só os ventos soprarem negativamente um pouquinho e eu logo vendi minhas ações e encerrei a minha primeira empreitada na antiga Bovespa (que agora se chama B3).

Anos depois, mais precisamente em 2018, após já ter iniciado minha jornada para a independência financeira pela Renda Fixa, comecei a estudar um pouco mais, e me interessei muito pelo mercado de ações. Porém não existem motivos muito complexos, pelo contrário. Eles são até bem simples. Vou tentar transcrevê-los aqui.
NINGUÉM ABRE UMA EMPRESA PARA TER UM LUCRO PRÓXIMO DA POUPANÇA, DO CDI, DA INFLAÇÃO OU DA TAXA SELIC.
Rapaz, você já viu a complexidade que é empreender no Brasil? Ter uma empresa é sinal de que tem um estômago de dragão. Em 2014, 2015 e 2016, mais empresas fecharam no Brasil do que abriram. Isto significa que o nível de dificuldade está aumentando.
Portanto, você acha mesmo que um empreendedor vai iniciar um projeto, pagar litros de impostos, contratar funcionários, construir ou locar um imóvel, comprar outros ativos como carros, máquinas, equipamentos, construir uma marca, promover o negócio, captar clientes, vender, responder à processos trabalhistas, pagar salários, responder à sindicatos, pagar mais impostos, etc, etc, para – no final do ano – olhar para o lucro e perceber que ganhou 5%? 6%? 7%?… Você acha que este empresário estará feliz com este resultado?
Pior… Imagine que é uma empresa grande, já estabilizada, com anos de mercado, ações negociadas na B3, um conselho de acionistas, milhares de acionistas minoritários, diretores, a imprensa… Imagina a pressão que sofre um CEO/Presidente de uma grande empresa de capital aberto...
Pensando nesta lógica… no longo prazo… É muito difícil uma empresa ter constantes prejuízos ou lucros próximos da taxa Selic, CDI ou poupança. A pressão é grande demais!
Se você fizer uma rápida busca no Google, vai ver que existem notícias de CEOs demitidos o tempo todo. Seja por resultados, seja por que se exaltaram em alguma festa da firma, a pressão sobre os principais executivos do país é enorme – diretamente proporcional aos seus salários, claro.

Portanto, me parece lógico que essa frase faça bastante sentido pra mim:

No longo prazo, investimentos em boas empresas tendem sempre a atingirem melhores resultados do que o retorno em renda fixa, justamente por que não faz sentido abrir uma empresa neste país para atingir a mesma rentabilidade da poupança ou da taxa Selic.

Outra máxima também muito importante que acredito, é a de que quando você se torna acionista de uma empresa, você passa uma mensagem para o mercado de que você está em um novo patamar. De mero cidadão pagador de impostos, para um cidadão pagador de impostos acionista, recebedor de dividendos, que compartilha do lucro de algumas boas empresas.

Eu poderia enumerar aqui inúmeros outros motivos, gráficos, etc e tal, porém somente estes dois motivos já foram suficientes para despertar meu interesse em diversificar meu portfólio com ações. E é claro que daí comecei a me aprofundar, conhecer um pouco mais. Analisar relatórios de empresas que trabalham no meu segmento (Até aprendi algumas coisas importantes que acabo aplicando na empresa onde trabalho).
No geral, percebo que virar acionista de empresas muda um pouco sua visão de mundo, vira uma chave na cabeça. A sensação é de que estou apoiando empresas a movimentar a economia do meu país, e isso faz com que eu me motive a cada vez mais para aportar e investir.

Existem inúmeras pessoas que buscam (e atingem) a independência financeira sem os calafrios e emoções do mercado de ações, e se posicionam somente em renda fixa. E também existem pessoas que utilizam do mercado de ações para fazer Day Trade e lucrarem (ou não) com a volatilidade das cotações.

Não as recrimino. Acho que cada ser humano precisa encontrar seu caminho. Se ele for longe da renda variável, não importa. Só quis dividir um pouco aqui da lógica que me fez começar a aportar em ações (para longo prazo), e essa lógica vai guiar minha estratégia ao longo dos próximos anos para aumentar cada vez mais minha posição em renda variável.

Não sou especialista em investimentos e não faço recomendações. Use sempre sua cabeça, procure estudar bastante.

Queria deixar aqui uma pergunta pra você que leu o post. Você tem ações em seu portfólio? Qual o principal motivo de aplicar em renda variável?